Tarte de alfarroba, figo e amêndoa

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Algumas receitas têm o condão de nos fazer viajar, com o seu sabor a lembrar-nos uma região específica ou um local em particular. Uma dessas receitas é a que hoje lhe deixamos, de tarte de alfarroba, figo e amêndoa, que nos leva até ao Algarve, região onde se usam muito estes três ingredientes.

Apesar da lista de ingredientes ser algo extensa, esta é uma daquelas tartes que fica pronta em pouco tempo e que não requer muito trabalho da sua parte, bastando misturar os ingredientes (tanto para a base como para o recheio) e levar ao forno por dez minutos. Depois, poderá servir a sua tarte de alfarroba, figo e amêndoa sozinha ou com uma bebida mais tradicional, como o licor de laranja. Vai ver que, assim que experimentar a receita, vai querer repeti-la muitas mais vezes.

Tarte de alfarroba, figo e amêndoa: a história da alfarroba

A alfarroba é uma árvore que teve as suas origens há muito tempo. Os testemunhos que temos provam-nos a grande difusão da alfarrobeira desde a antiguidade, mas também os seus muitos usos diferentes, como esta tarte de alfarroba, figo e amêndoa. A alfarrobeira é oriunda do Oriente. Especificamente, a sua pátria é a Síria. No entanto, cresce sozinha e é cultivada nos países do Médio Oriente e naqueles que rodeiam o Mediterrâneo, ou seja, na Grécia, Ásia Central, Norte de África, Itália, Espanha, Portugal e Chipre.

A alfarrobeira era conhecida pelos antigos gregos, que a cultivavam pelos seus frutos como alimento para humanos e animais. Na antiguidade clássica, o filósofo e sucessor de Aristóteles, Teofrasto o Efésio (372-287 a.C.) informa-nos que em Ionia a árvore era chamada “Keronia” e o seu fruto “figo egípcio”.

Ele até registou uma descrição detalhada da alfarroba. Notou que os frutos da alfarroba emergem do tronco da árvore, já que as flores crescem sempre na axila das folhas ou diretamente dos ramos antigos. Durante os anos helenísticos, a árvore de alfarroba também era chamada “Keratea”. Plínio o Velho (23-79 d.C.) refere-se à vagem doce da alfarrobeira como alimento para os porcos.

Há provas de que os antigos egípcios utilizavam alfarroba. Foram encontradas vagens e sementes de alfarroba em túmulos egípcios, enquanto a pectina de alfarroba foi utilizada para mumificar os mortos. Ainda hoje, no Egipto, comem as vagens secas como um lanche e fazem uma bebida alcoólica especial por fermentação.

Os romanos também comiam cascas de alfarroba pela sua doçura natural, quando ainda estavam verdes e frescas. Os judeus e os muçulmanos ainda comem alfarroba durante a festa de Biswat, ou durante o Ramadão, respetivamente. Os árabes consideravam-nos excelentes emolientes para infeções no peito e recomendavam-nos a doentes com bronquite crónica.

Segundo a Bíblia, João Baptista comeu alfarroba enquanto esteve no deserto. Mais tarde, os europeus chamaram à árvore de alfarroba a “árvore de pão de São João”, pelo que em várias línguas europeias encontramos a árvore de alfarroba como “Saint Johns tree” (inglês), “Johannisbrot” (sueco) ou “Johannisbrotbaum”. (alemão).

A alfarroba tem desempenhado um papel fundamental em várias guerras ao longo da história, pois é rica em nutrientes, por um lado, e abundante, por outro. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) o fruto da alfarroba salvou muitas pessoas da fome. Hoje, os mais antigos da Grécia lembram-se do “chocolate da ocupação” nos tempos difíceis da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), feito com alfarroba. A alfarroba era também utilizada como substituto dos bens básicos, que, nessa época, eram escassos (café e farinha, sendo essa a forma em que é usada nesta tarte de alfarroba, figo e amêndoa).

A alfarroba, portanto, caraterizava tempos de miséria, pobreza e privações. As experiências traumáticas da guerra criaram inevitavelmente memórias desagradáveis para aqueles que comiam alfarroba como seu único alimento e, por conseguinte, a fruta era desprezada. Além disso, foi sempre alimento para animais domésticos, pelo que não era um alimento procurado pelos seres humanos. Apesar disso, ficou presente na culinária de muitos países, como o nosso, através de receitas como a de tarte de alfarroba, figo e amêndoa.

Hoje, no entanto, após muita investigação laboratorial que foi feita, ficou provado que a alfarroba é justamente chamada o “Ouro Negro” de Creta. Os cientistas descobriram os nutrientes do alfarroba e provaram quão benéfica é para a saúde. Os açúcares naturais que a alfarroba tem, dão um sabor muito especial aos produtos que a contêm, como esta tarte de alfarroba, figo e amêndoa. É agora um alimento refinado, perfeito para aqueles que querem um estilo de vida natural e bem-estar.

Faça ainda hoje a sua tarte de alfarroba, figo e amêndoa e delicie-se com o seu sabor incrível. Bom apetite!

Tarte de alfarroba, figo e amêndoa

Uma tarte com um sabor que nos leva até ao Algarve
Preparação 20 mins
Cozedura 10 mins
Total 30 mins
Refeição Doces
Cozinha Portuguesa

Ingredientes
  

Para a base da tarte

  • 250 g de figos secos
  • 100 g de bolacha Maria
  • 150 g de amêndoas
  • 2 colheres de sopa de manteiga

Para o recheio

  • 100 g de açúcar branco
  • 3 ovos
  • 75 g de manteiga sem sal
  • 100 g de doce de gila
  • 100 g de amêndoa triturada
  • 50 g de farinha de alfarroba
  • 25 g de farinha de trigo com fermento
  • 1 colher de chá de canela em pó

Preparação
 

Preparação da base

  • Pré-aqueça o seu forno a 180ºC.
  • Triture os figos, a bolacha e as amêndoas. No final, junte-lhes a manteiga derretida, amasse tudo e use a mistura para forrar o fundo de uma tarteira untada.

Para o recheio

  • Comece por separar as gemas das claras. Reserve as claras, e bata as gemas com o açúcar e a manteiga derretida.
  • Incorpore o doce de gila e, aos poucos, junte as duas farinhas misturadas, mexendo sempre.
  • Junte as amêndoas trituradas e a canela, mexendo até ter uma massa bem misturada. Por fim, bata as claras em castelo e incorpore-as na massa.
  • Deite o recheio por cima da base de figo e leve ao forno durante 10 minutos.

Dicas

  • Também pode optar por comprar uma base de tarte já feita e incorporar os figos secos no recheio, cortando-os em pedaços bem pequenos.
  • O uso da canela é opcional, podendo não a usar ou trocá-la por outra especiaria a seu gosto.

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